É ÁRDUA A TAREFA DO COMPLICE OFFICER

Certamente a tarefa, ou melhor a vida profissional do compliance officer é árdua, mas nem por isto ele deve deixar esvanecer ou reduzir seus anseios profissionais e pessoais.

Ao iniciar este artigo afirmo racionalmente que o mundo [não as estrelas] conspiram contra as atividades do compliance officer. Veja no exemplo a seguir como o faço racionalmente, pois caso contrário, se falasse como um alarmista religioso, estaria dizendo que os príncipes da terra estão conspirando contra a ética e a moral, e, curiosamente, ambos os conceitos representam a mesma coisa, a luta pela manutenção da ética e da moral, na guerra contra a corrupção e a desconformidade.

Esta luta é grande e envolve a todos, pois tudo quanto podemos assistir no dia-a-dia assalta nossos princípios, e então, sendo pragmático e sintético utilizarei apenas um exemplo para dar a dimensão daquilo que ocorre ao nosso redor.

A Revista Veja de 18 de maio de 2016 produziu importante e representativa reportagem chamada “VOCÊ VÊ A NETFLIX E ELA TAMBÉM VÊ VOCÊ” onde ao mesmo tempo que nos comprova o poder da mídia e a importância da acumulação e uso dos dados [informações] digitais, ela comprova que a luta do compliance officer será grande e ele deverá vencer não somente o marasmo e a indecisão, mas também, vencer a contrapropaganda que atenta contra a ética e da moral, e tenta fixar as raízes, de forma subliminar, de que o mais experto deve vencer, não importa a que custo.

Uma das chamadas em negrito de tal reportagem nos informa que a Netflix, no afã de conseguir prender nossa atenção e decisão nos primeiros 90 segundos, em relação à qual filme vamos assistir, lança mão de decisões esdrúxulas e no mínimo condenáveis, pois, corre para prender nossa atenção, dentre outros fatores, com o viés de fazer com que os “vilões prevaleçam sobre os heróis” [palavras textuais].

A reflexão sobre este recurso de prender a nossa atenção nos leva a no mínimo duas conclusões, primeiro, a impressão de que todos nós, usuários da Netflix, somos potenciais contraventores, e a segunda, são os efeitos que este recurso [prevalecer os vilões sobre os heróis] acarreta na formação cultural do mundo [afinal de contas ela não é exposta somente no Brasil].

De qualquer forma, a resposta para ambas indagações, são terríveis, e assim, além de vermos a ética e a moral serem vilipendiadas, também a vemos ser estudadas, refletidas e ensinadas no seu pior sentido.

Por certo são estes os principais motivos pelos quais vemos filmes como os “filhos de alguém” produzirem tanto sucesso, e tudo isto me leva lembrar de um livro escrito há mais de 40 anos, chamado “A falência das elites”, com o adicional de que hoje, não são somente as elites que falem.

Bom, vou parando por aqui, pois daqui a pouco me sentarei à frente da minha TV para ver um dos meus seriados preferidos, de onde? Da famosa Netflix.

As meninas do Drop Dead Diva já desapareceram. Dizem que é pelo fato de que era muito “água com açúcar”, e não deu muito Ibope, mas fiquem sossegados pois novos episódios de Scandal e já estão sendo filmados, e para não perdermos a ligação, o House Of Cards continua firme por aí.

De qualquer forma, aos que se iniciarão nas lides de compliance officer, sejam bem-vindos, aos quais desejo sincero sucesso, persistência, paciência e altas doses de caráter para serem felizes.

Walmir da Rocha Melges – 26 de julho de 2016

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